Por: Bel Florindo e Mi Soares
A vida profissional está atravessando um período
crítico. O dinheiro, por incrível que pareça, está perdendo poder,
principalmente para aqueles que já estão em posições privilegiadas. Uma vez que
já se tem o dinheiro, a nova moeda
vira a satisfação com a vida. Aquela vida estável depois de anos de
trabalho estafante antes da aposentadoria não nos parece tão atrativa quanto
era para os nossos pais.
Mas é óbvio que pedir demissão e ir viajar também
não é a solução para esse problema, principalmente por não ser algo acessível
para todo mundo. Além disso, tirar um período sabático pode ajudar e muito a
clarear as ideias, fazer você mudar de carreira, abrir um negócio ou apenas te
dar um gás para voltar ao seu trabalho antigo, mas a grande verdade é que precisamos do nosso trabalho e
mais ainda, do trabalho das outras pessoas para viver.
O problema é que se apenas um em cada oito
funcionários está feliz com o que faz, seja lá qual for o motivo, cada vez mais
os produtos e serviços serão uma merda, concordam? Existem três jeitos de olhar para o trabalho: tarefa, carreira e vocação.
Tarefa é
algo que você cumpre em troca de um pagamento, sem procurar outras recompensas. A carreira está
vinculada a um investimento profissional mais profundo. Você trabalha pelo
dinheiro, mas também pela ascensão e reconhecimento profissional. E a vocação é o compromisso
apaixonado pelo trabalho. Quem tem uma vocação vê seu trabalho como uma
contribuição para um bem maior, para algo além de si mesmo. O trabalho em si é
o fator de realização, ainda que não haja dinheiro ou promoções em jogo.
Com esses três conceitos em mente, nos lembramos de
todo mundo que já esteve trabalhando conosco, seja dando aula, como colega de
trabalho ou oferecendo um simples serviço. É chocante perceber que são
pouquíssimas as pessoas que trabalham por vocação. Mas quando paramos para
pensar, elas provavelmente foram nossos professores preferidos, um colega ou
chefe que admiramos muito ou nosso cabeleireiro! Esses profissionais, sem
dúvida nenhuma, são os que oferecem as melhores experiências, os que trabalham
mais felizes e os mais bem-sucedidos naquilo que fazem, independentemente da
profissão.
Como você enxerga seu trabalho, tarefa, carreira ou
vocação? Nenhum deles está errado, mas cada um gera um resultado diferente e é
preciso entender se o jeito que você realiza está alinhado com as expectativas
que você tem. Não adianta fazer sua tarefa bem feita, mas sem comprometimento,
e esperar que ela seja reconhecida como algo que faz diferença na vida das
pessoas. Também não adianta ficar frustrado porque você tem três anos de
“firma” e não é promovido, se você não se dedica muito mais do que a média dos
seus colegas. Quando você é capaz de fazer uma auto avaliação honesta, e consegue
identificar o problema, fica mais fácil entender o que não está dando certo e
mudar.
Outra coisa importante, se dê uma chance. Dizemos isso
porque sempre amamos escrever e contar histórias, mas nunca pensamos que isso
pudesse nos levar a lugar algum ou fosse nos fazer ganhar dinheiro. Hoje, mesmo
não ganhando um centavo para escrever aqui, isso nos faz tão feliz quanto viajar
e conhecer lugares novos.
Realmente acreditamos que aqueles que encontram sua
vocação, não se importam em trabalhar mais horas do que o normal, nem se estão
sendo pagos ou não. Não coincidentemente, são esses os profissionais que quase
sempre ganham mais dinheiro, já que tendem a ser os melhores e os mais apaixonados
por aquilo que fazem. Pense nisso, reflita e se sentir necessidade mude, não
tenha medo de mudar. Tenha medo sim, de passar a vida toda no mesmo lugar,
realizando algo que não te satisfaz nem como pessoa e nem como profissional.
Experimente, saia do óbvio e veja o que acontece.
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